
Art Déco – Colecção Berardo, What a Wonderful World!
Comissário: Márcio Alves Roiter
De 10 de Julho de 2010 a 27 de Fevereiro de 2011
Art Déco – Colecção Berardo, What a Wonderful World!, é uma exposição da Colecção Berardo comissariada pelo maior especialista da América Latina, Márcio Alves Roiter, Fundador e Presidente do Instituto Art Déco Brasil.
Após o sucesso alcançado na Fundação de Serralves, no Porto, no Sintra Museu de Arte Moderna – Colecção Berardo, no Museu Berardo, em Belém, e em diversas instituições museológicas de âmbito internacional, a Colecção de Art Déco é, agora, apresentada, pela primeira vez, na Madeira, reunindo grande parte do seu espólio, ao qual acresce as recentes aquisições, nunca antes expostas.
Segundo Márcio Alves Roiter: “A Colecção Berardo, formada principalmente nos últimos vinte anos por peças encontradas em diversas partes do mundo é um símbolo e resumo da universalidade deste estilo/movimento das primeiras décadas do século XX. Arte e indústria nunca mantiveram diálogo tão sofisticado na história das artes decorativas. Da utopia – “arte para todos” pretendida pelo estilo precedente, o Art Nouveau, nascia, ao redor de 1920 um verdadeiro estilo, uma estética, que se tornaria presente em todas as áreas da criação humana.
Moderno em sua essência, muitas vezes tropical e exótico em seus temas, internacional no espaço que ocupa, é constantemente celebrado e reverenciado pela sua indiscutível contemporaneidade.
Poucos museus ou coleccionadores no mundo de hoje contam com tamanha diversidade numa só colecção.
A Madeira, através do Centro de Artes Casa das Mudas recebe exemplares dos mais significativos e de diversas vertentes de inspiração dentro do Art Déco. É, aliás, essa época das primeiras décadas do século XX, rica em vocabulários e influências – alguns até antagónicos, (…). Este amálgama de estilos dentro de um estilo torna o Art Déco algo tão instigante, despertando paixões no mundo inteiro.”
O catálogo bilingue, editado no âmbito desta exposição, conta com textos de vários autores.
O Comissário, Márcio Alves Roiter, desenvolve a questão dos navios: “Os transatlânticos desta época, na maioria decorados por designers do Art Déco, ajudavam a disseminar em escala mundial seu vocabulário estético, numa roupagem de luxo. A cada cidade que chegavam - e grande número deles tinham no Funchal escala obrigatória – os passageiros desembarcavam, os moradores locais compravam tickets de acesso e podiam passar o dia inteiro a desfrutar dos restaurantes, lojas e teatros a bordo. Não resta a menor dúvida que foram estes “paquebots” grandes embaixadas flutuantes do Art Déco.”
Emmanuel Bréon, grande especialista dos anos 20 e 30, e antigo director do Musée des Années 30, e Rui Afonso Santos, conceituado historiador de arte e design, abordam o Estilo de forma mais generalista, o primeiro de um ponto de vista mais internacional, e o segundo mais nacional.
Nas palavras de Emmanuel Bréon: “Interessando-se desde logo por todos os componentes da arte decorativa – móveis, trabalhos em ferro, candeeiros, objectos de vidro, cerâmica, arte da mesa e pratas – José Berardo soube reunir, num mostruário notável, uma colecção muito representativa do estilo 1925 que o mundo inteiro redescobre hoje com agrado. (…) Evidentemente, nem tudo pode ficar resumido nessa única manifestação – nesse ano de 1925 - e a grande força e inteligência da Colecção de José Berardo consiste em demonstrar que o estilo Art Déco perdurou até à Segunda Guerra Mundial e que não foi um momento efémero. Os artistas mais jovens, frequentemente colaboradores dos grandes criadores de então, irão suceder aos mais antigos para prosseguir a sua obra e, até, ultrapassá-los. Alfred Porteneuve, Jean-Michel Frank, Jacques Adnet, com a simplicidade elegante que os caracteriza, foram os dignos herdeiros de Jacques-Émile Ruhlmann. A casa de decoração fundada por Jules Leleu será mantida pelos filhos, André e Paule, para só vir a fechar em 1973. A lista de descobertas realizadas por José Berardo é longa e poucos são os nomes ausentes; estão presentes Leleu, Adnet, Frank, Sornay, Dufrêne, Follot, Jallot, Majorelle, Champion, Subes, Kiss, Lalique, Puiforcat, Christofle, até à fase inicial de alguns estrangeiros importantes como Alvar Aalto ou Gio Ponti. Insaciável, José Berardo foi capaz de não se fixar apenas nalguns nomes fetiche, tendo optado antes por “abraçar” toda uma época, revelando aquilo que de melhor ela produziu. Temos de lhe estar forçosamente gratos pela persistência, pois poucas instituições internacionais podem hoje vangloriar-se de possuir e poder apresentar uma sequência de obras tão lógica e excepcional.”
Na exposição agora apresentada, mostra-se a Colecção Berardo – móveis, cerâmicas, vidros, ferros, pinturas, esculturas, têxteis e desenhos, a par de algumas peças da Colecção do Musée des Années 30 de Boulogne-Billancourt, e dois automóveis da época, um Rolls Royce e um “Amílcar”, pertencentes a coleccionadores privados.