
De 17 de Dezembro de 2009 a 02 Maio de 2010
Man Ray: Man Ray: Unconcerned But Not Indifferent apresenta desenhos, fotografias, pinturas e esculturas, assim como objectos pessoais e imagens da colecção da Fundação Man Ray, localizada em Long Island (Nova Iorque). Embora determinados itens tenham sido ocasionalmente emprestados para importantes exposições, a totalidade da colecção nunca foi integralmente exibida. De facto, desde a morte da sua mulher, Juliet Man Ray, a colecção esteve guardada em cofres nas traseiras das oficinas de restauro de automóveis da sua família. Embora mais de 2000 peças tenham já sido catalogadas e autenticadas pela fundação, grande parte permanece por examinar. Unconcerned But Not Indifferent é a primeira exposição que abre os cofres a um público mais vasto.
Após a morte de Man Ray em 1976, o espólio do artista foi deixado a cargo da sua mulher que, em conjunto com os seus irmãos, formaram a Fundação Man Ray, com o objectivo de gerir e cuidar da colecção. Uma parte do acervo foi confiada aos Museus Nacionais de França. Para a colecção americana, a Fundação reteve uma extensa quantidade de peças, nas quais se incluem obras de arte, objectos e ainda documentos e bens pessoais que ilustram uma carreira artística de 60 anos. O acervo da colecção é único, representa todas as diferentes fases do trabalho de Man Ray. Inclui trabalhos de início da carreira pouco conhecidos, documentos da sua vida privada, esboços e documentação relativos a grandes obras de arte, assim como inúmeras peças bastante conhecidas. A revista ArtNews num artigo de Junho de 2002 acerca da fundação afirma que a colecção desta é "perfeita". Unconcerned But Not Indifferent apresentará apenas obras que tenham sido certificadas pela Fundação como "autênticas". Será a primeira e única exposição de Man Ray desta escala a poder fazer tal afirmação. A Fundação Man Ray detém todos os direitos relativos a todas as obras do artista.
O título da exposição,Unconcerned But Not Indifferent, foi retirado do epitáfio de Man Ray. Esta mostra incluirá aproximadamente 300 itens e será a primeira a relacionar as suas obras de arte aos objectos e imagens que lhe serviram de inspiração: a sua bengala e chapéu de coco, objectos das prateleiras do seu estúdio na Rue de Ferou em Paris, a sua colecção de fotografias eróticas e os objectos que utilizou para produzir as suas famosas raiografias. Como resultado do manancial de materiais fornecidos pela Fundação Man Ray, a exposição Unconcerned But Not Indifferent permite explorar o processo criativo deste grande artista, desde os esboços até à peça final. Revela também o uso ocasional de materiais fotográficos como base para as suas pinturas e trabalhos gráficos.
A mostra apresentará inúmeras obras de cada período da vida de Man Ray. Muitas destas serão bem conhecidas mas, algumas já não são exibidas desde a sua morte. Adicionalmente, e como resultado de uma profunda investigação por parte da Fundação Man Ray, esta exposição exibirá pela primeira vez uma selecção das seguintes obras até agora desconhecidas:
• Chapas fotográficas da obra Les Mains Libres com as marcas de corte de Man Ray, datadas de 1936 e 37;
• Fotografias documentais de França datadas da década de 1920;
• Um documento previamente desconhecido relativo à obra de Marcel Duchamp intitulada Large Glass;
• Provas de contacto com as marcas de corte de Man Ray de ao longo da sua carreira;
• Fotografias polaroid a preto e branco datadas do início da década de 60;
• Uma colecção de transparências a cores emolduradas, criadas no período em que Man Ray experimentava com fotografia a cores;
• Uma obra colaborativa entre Man Ray e Max Ernst constituída por quatro frottages.
A estrutura de Unconcerned But Not Indifferent segue os quatros grandes períodos de trabalho de Man Ray: Nova Iorque, Paris, Los Angeles e novamente Paris. A sequência de abertura, Nova Iorque, apresentará uma selecção de reproduções das fichas indexadas de Man Ray, utilizadas por este para documentar as suas primeiras peças. Estes ficheiros, cujos originais foram roubados do estúdio após a sua morte, nunca foram recuperados. Têm sido alvo de considerável controvérsia e serão pela primeira vez exibidos. Sempre que possível, serão apresentados lado a lado com a peça que documentam.
Unconcerned But Not Indifferent apresentará também documentação do trabalho de Man Ray e de outros artistas, incluindo Duchamp, Picasso, Miró, e Léger, assim como um pequeno livro produzido por Man Ray acerca do trabalho de Rousseau. Foi através deste género de trabalhos que Man Ray se iniciou na fotografia e entrou no mundo artístico parisiense na década de 1920. Adicionalmente, a exposição apresentará documentos utilizados como material fonte para as suas pinturas e trabalhos gráficos, bem como, provas com notas do próprio artista. Estas também nunca antes foram exibidas e serão apresentadas em conjunto com as peças finais a que se referem.
Finalmente, a colecção da Fundação Man Ray é enriquecida com objectos que pertenceram ao artista, tais como o seu chapéu de coco, anéis, pasta e bengala, assim como uma selecção de joalharia e objectos feitos para a sua mulher, Juliette. Outros documentos pessoais incluem cartas privadas, desenhos e manuscritos, entre os quais, dois rascunhos da sua autobiografia, uma fórmula para químicos fotográficos e uma candidatura para uma patente de um tabuleiro de xadrez magnético. Apresentar estes objectos e documentos em conjunto com as suas obras mais conhecidas e outras que nunca antes foram exibidas, proporcionará uma exposição de elevado interesse que oferece uma visão singular da vida e produção criativa do artista.
Ao colocar as obras de Man Ray em relação com as suas ferramentas, documentos, objectos e imagens que lhe serviram de fonte de inspiração, a exposição Unconcerned But Not Indifferent oferece um contexto único através do qual podemos experienciar e apreciar a sua vasta produção criativa. Deste modo, esta exposição fornece ao público um conhecimento mais aprofundado da arte de Man Ray e, simultaneamente, dá uma visão mais intimista da sua vida, pensamento e processos criativos.
Noriko Fuku é uma curadora japonesa independente que vive nos Estados Unidos e no Japão. Após terminar o seu mestrado na Columbia University em Nova Iorque, fez a curadoria de diversas exposições, apresentando a arte americana ao Japão e vice-versa. No seu curriculum incluem-se retrospectivas de Cindy Sherman, Robert Mapplethorpe e Keith Harring. Trabalhou como curadora de exposições de Lisette Model, Nan Goldin, Philip-Lorca diCorcia, David Byrne, Catherine Opie, Nobuyoshi Araki, Naoya Hatakeyama, entre muitos outros. Foi curadora convidada no Photo España durante dois anos e fez parte de diversos painéis de júris, incluindo os Prémios Polaroid e os Prémios ICP Infinity. Actualmente, é professora na Kyoto University of Arts and Design.
John Jacob iniciou a sua carreira como artista e curador independente. Durante a década de 1980 trabalhou extensivamente na Europa de Leste e na antiga URSS. Foi curador convidado de uma série de exposições de arte "não-oficial" nos Estados Unidos e na Europa. Em 1992, assumiu o cargo de director de exposições no Photographic Resource Center na Universidade de Boston e em 1993 foi nomeado director executivo do museu. Em 2001, Jacob lançou o Photographic Curators Resource, um serviço online dirigido a profissionais de museus que trabalham com fotografia. De 2001 a 2004 desempenhou funções de professor adjunto de Belas Artes no College of the Atlantic, em Bar Harbor, no Maine. Desde 2003, é director da Fundação Inge Morath em Nova Iorque. Jacob fez curadoria de diversas exposições para instituições nos Estados Unidos, Europa e Ásia. É um autor publicado numa enorme variedade de matérias.